Contas em pé: como explicar a adição e a subtração
Fazer contas em pé (o algoritmo) é calcular coluna a coluna, começando sempre pelas unidades, à direita. Em Portugal, o algoritmo da adição e da subtração surge sobretudo no 2.º e 3.º ano, e a multiplicação por um algarismo no 3.º ano. Veja como explicar cada passo e evitar os erros clássicos.

Alinhar bem os algarismos
Metade dos erros nasce de um mau alinhamento. As unidades ficam por baixo das unidades e as dezenas por baixo das dezenas. Em 245 + 38, o 8 fica por baixo do 5, não do 2.
Um caderno quadriculado ajuda muito: um algarismo por quadrado. Nas primeiras semanas, pode escrever por cima das colunas C, D, U (centenas, dezenas, unidades).
A adição com transporte: «e vai um»
Começa-se pela coluna das unidades. Em 47 + 36: 7 + 6 = 13. Escreve-se 3 «e vai um», ou seja, 1 dezena que se anota pequenina no topo da coluna das dezenas. Depois 4 + 3 + 1 = 8. Resultado: 83.
O «e vai um» não é um número mágico: são 10 unidades trocadas por 1 dezena. Mostre-o com palitos atados em molhos de 10 ou com o material multibásico, e a criança percebe porque é que não se pode escrever 13 numa só coluna.
A subtração com transporte
Em 52 − 27, nas unidades 2 − 7 não dá. Pelo método da decomposição, tira-se 1 das 5 dezenas: ficam 4, e as unidades passam a 12. 12 − 7 = 5 e depois 4 − 2 = 2. Resultado: 25.
Muitas escolas portuguesas ensinam o método da compensação, em que se juntam 10 unidades em cima e «vai um» para a dezena de baixo. Os dois chegam ao mesmo resultado: pergunte ao professor qual se usa na turma e mantenha esse em casa, para não baralhar.
O erro mais frequente é tirar sempre o número pequeno ao grande, esteja onde estiver («2 − 7 não dá, então faço 7 − 2 = 5»). Lembre que se tira sempre o algarismo de baixo ao de cima.
A armadilha do zero no meio
305 − 87 é a subtração que faz tropeçar quase toda a gente. Nas unidades, 5 − 7 não dá, mas não há dezenas para tirar: o algarismo das dezenas é 0. É preciso desfazer uma centena: 3 centenas passam a 2, as 0 dezenas passam a 10, e depois tira-se 1 dessas dezenas para as unidades.
Treine este caso à parte, devagar, com material (uma placa de 100, barras de 10). Depois de compreendido, deixa de assustar.
Tirar a prova e a multiplicação em pé
Ensine a criança a tirar a prova: uma subtração confirma-se com uma adição (218 + 87 = 305). Uma estimativa também ajuda: 305 − 87 é mais ou menos 300 − 90, por isso um pouco mais de 200.
No 3.º ano, a multiplicação em pé por um algarismo segue a mesma lógica: 46 × 3, primeiro 6 × 3 = 18, escreve-se 8 e vai um, depois 4 × 3 + 1 = 13. Resultado: 138. Para isso a tabuada tem de estar segura.
Como o Lalo Academy o treina
O jogo Cálculo do Lalo Academy propõe adições e subtrações em pé com 2 e 3 algarismos, com e sem transporte (incluindo o zero no meio), multiplicação em pé por um algarismo e divisão com resto. Os algarismos escrevem-se a partir da direita, unidades primeiro, tal como na conta em pé no caderno.
Um botão explica cada coluna passo a passo, com o transporte, e preenche as casas; a seguir, o mesmo tipo de conta volta logo para a criança a fazer sozinha. Os erros são sempre corrigidos com gentileza e as sessões duram 5 a 10 minutos.
FAQ
Em que ano se aprendem as contas em pé?
O algoritmo da adição e da subtração é trabalhado sobretudo no 2.º e 3.º ano, a multiplicação por um algarismo no 3.º ano e a divisão no 4.º ano.
O meu filho esquece-se sempre do «e vai um». O que fazer?
Peça-lhe que escreva o transporte pequenino e a cores no topo da coluna seguinte, sempre, e que diga em voz alta: «13, escrevo 3 e vai um».
Decomposição ou compensação na subtração?
Os dois métodos estão certos. O importante é usar o da escola, para a criança não misturar dois procedimentos.
Como se tira a prova de uma subtração?
Soma-se o resultado com o número que se tirou e tem de dar o número de partida. Por exemplo, 25 + 27 = 52 confirma 52 − 27 = 25.